O que são as taxas regionais de IVA em Portugal?

O IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) tem três taxas em Portugal Continental: normal, intermédia e reduzida. Os Açores e a Madeira, como regiões autónomas, aplicam as suas próprias taxas, mais baixas.

A base legal é a mesma em todo o país, o Código do IVA (CIVA). O que muda é a percentagem, ao abrigo do artigo 18.º, n.º 3, que permite às regiões autónomas fixar taxas reduzidas para atenuar os custos da insularidade.

As categorias de produtos e serviços (o que entra na taxa reduzida, intermédia ou normal) são as mesmas em todo o território. Só a percentagem varia por região.

Pontos principais

  • Continente: 23% normal, 13% intermédia, 6% reduzida.
  • Açores: 16% normal, 9% intermédia, 4% reduzida.
  • Madeira: 22% normal, 12% intermédia, 5% reduzida.
  • A taxa aplicável depende de onde a operação se considera efetuada, geralmente a origem da expedição do bem, não a morada do cliente.
  • Quem fatura até 15.000 € por ano pode estar isento de liquidar IVA, ao abrigo do artigo 53.º do CIVA.

Qual é a taxa de IVA em cada região?

Veja a tabela completa com as três taxas de cada região.

Região Taxa normal Taxa intermédia Taxa reduzida
Continente 23% 13% 6%
Açores 16% 9% 4%
Madeira 22% 12% 5%

Fontes: Código do IVA, artigo 18.º, e gov.pt — consultado em agosto de 2026. As taxas podem mudar; confirme sempre o valor atual no Portal das Finanças.

A morada do cliente não define a taxa

Muitos empresários assumem que a taxa depende de onde está o cliente. Errado. Para bens, conta o local de onde a mercadoria é expedida. Se um armazém no Continente envia um produto para um cliente nos Açores, aplica-se a taxa do Continente, 23%, mesmo com o destino insular. Se a mesma empresa tiver stock na ilha e expedir de lá, aplica-se a taxa açoriana.

Como calcular o IVA inverso

Extrair o IVA de um preço final (IVA inverso)
Valor sem IVA = Preço final ÷ (1 + taxa)
Exemplo com 100 € finais no Continente (23%): 100 ÷ 1,23 = 81,30 €. IVA incluído: 18,70 €.
Mesmo valor nos Açores (16%): 100 ÷ 1,16 = 86,21 €. IVA incluído: 13,79 €.
Mesmo valor na Madeira (22%): 100 ÷ 1,22 = 81,97 €. IVA incluído: 18,03 €.

Como funciona o cálculo passo a passo

1
Confirme a região da operação Para bens, olhe para a origem da expedição. Para serviços, geralmente conta a localização de quem presta o serviço, com exceções para imóveis e transporte.
2
Identifique a taxa certa na Lista I ou II do CIVA Bens de primeira necessidade (pão, leite, medicamentos) caem na taxa reduzida. Restauração geralmente cai na intermédia. Tudo o resto paga a taxa normal.
3
Aplique a fórmula Para somar IVA a um preço sem imposto: preço × (1 + taxa). Para tirar o IVA de um preço final: preço ÷ (1 + taxa).

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Exemplos práticos por região

Cenário 1: Loja online que envia do Continente para os Açores

Uma loja de eletrónica em Lisboa vende um telemóvel a 300 € sem IVA a um cliente em Ponta Delgada. O produto sai do armazém em Lisboa.

Aplica-se a taxa do Continente, 23%. IVA: 300 × 0,23 = 69 €. Preço final: 369 €.

Para lembrar: conta a origem da expedição, não a morada do cliente.

Cenário 2: Restaurante na Madeira

Um restaurante no Funchal fatura uma refeição de 40 € sem IVA, sem bebidas alcoólicas.

Aplica-se a taxa intermédia madeirense, 12%. IVA: 40 × 0,12 = 4,80 €. Preço final: 44,80 €. No Continente, o mesmo serviço custaria 45,20 €.

Para lembrar: a restauração paga a taxa intermédia em todas as regiões, mas o valor absoluto varia.

Cenário 3: Freelancer açoriano abaixo do limite de isenção

Uma designer gráficaA lei federal que exige impostos sobre a folha de pagamento para a Seguridade Social e o Medicare.... em Ponta Delgada faturou 12.000 € em 2025, sempre a clientes em Portugal.

Como não ultrapassou os 15.000 € anuais, pode manter-se no regime de isenção do artigo 53.º do CIVA em 2026: não liquida IVA nas faturas, mas também não deduz o IVA das suas despesas.

Para lembrar: a isenção por volume de negócios existe em todas as regiões, com o mesmo limite de 15.000 €.

Cenário 4: Livraria a comparar as três regiões

Um livro custa 20 € sem IVA. Livros entram na taxa reduzida em todo o país.

Continente (6%): 21,20 €. Açores (4%): 20,80 €. Madeira (5%): 21,00 €.

Para lembrar: a diferença por unidade parece pequena, mas soma-se depressa em catálogos grandes.

Isenções e regimes especiais

Regime Quem se aplica Limite ou condição
Artigo 53.º do CIVA Pequenos empresários e trabalhadores independentes Até 15.000 € de faturação no ano anterior, sem exportações
Artigo 9.º do CIVA Atividades isentas por natureza (saúde, educação) Sem limite de faturação
Regime de pequenos retalhistas Comércio a retalho de pequena dimensão Artigos 60.º a 68.º do CIVA

Fontes: Código do IVA, artigo 53.º, e Ofício-Circulado n.º 25062/2025, Decreto-Lei n.º 35/2025, de 24 de março — consultado em agosto de 2026.

Quem ultrapassa os 15.000 € mas fica abaixo de 18.750 € (a margem de tolerância de 25%) mantém a isenção até ao fim do ano corrente e só passa ao regime normal em janeiro seguinte. Acima de 18.750 €, a saída do regime é imediata.

Continente vs. Açores vs. Madeira: qual pesa mais no bolso?

Item (100 € sem IVA) Continente Açores Madeira
Bem à taxa normal 123,00 € 116,00 € 122,00 €
Serviço à taxa intermédia 113,00 € 109,00 € 112,00 €
Bem à taxa reduzida 106,00 € 104,00 € 105,00 €

Os Açores têm sempre a carga fiscal mais baixa das três regiões. A Madeira fica a meio caminho, mais perto do Continente na taxa normal, mas alinhada com os Açores na taxa reduzida.

Vantagens de operar nos Açores ou na Madeira

  • Preços finais mais baixos — a mesma margem de lucro permite um preço de venda mais competitivo.
  • Vantagem em serviços locais — restauração e alojamento ficam mais baratos para o cliente final.

Desvantagens e cuidados

  • Complexidade para negócios com clientes nas três regiões — é preciso confirmar a origem de cada expedição, operação a operação.
  • Risco de erro na fatura — aplicar a taxa errada gera correções junto da Autoridade Tributária.

Perguntas frequentes sobre taxas de IVA em Portugal

  • A taxa de IVA depende da morada do cliente ou da empresa? — Depende, na maioria dos casos, de onde a operação se considera feita. Para bens, é a origem da expedição. Para serviços, geralmente a localização de quem presta o serviço, com exceções para imóveis e transportes.
  • Uma empresa do Continente pode faturar à taxa açoriana? — Só se a mercadoria for expedida a partir dos Açores ou o serviço for prestado lá. Caso contrário, aplica-se a taxa continental mesmo que o cliente esteja na ilha.
  • Quem está isento pelo artigo 53.º pode deduzir o IVA das compras? — Não. A isenção por volume de negócios dispensa a liquidação de IVA nas vendas, mas também retira o direito à dedução do IVA suportado nas despesas.
  • A Madeira teve alguma alteração recente na taxa normal? — Sim, a taxa normal madeirense subiu para 22% em outubro de 2024, aproximando-se da taxa continental.
  • O que acontece se eu ultrapassar os 15.000 € de faturação a meio do ano? — Se ficar entre 15.000 € e 18.750 €, mantém a isenção até final do ano corrente. Acima de 18.750 €, passa de imediato para o regime normal.
  • Os alimentos pagam sempre a taxa reduzida? — Não necessariamente. Bens de primeira necessidade sim, mas bebidas alcoólicas e refrigerantes pagam a taxa normal em qualquer região.

Dica do Especialista — Ritu Sharma

"Automatize a verificação da região antes de faturar - Se vende para as três regiões, vale a pena configurar o seu sistema de faturação para perguntar a origem de expedição em cada operação, em vez de confiar na morada de entrega por defeito. Um erro recorrente aqui gera correções trimestrais desnecessárias junto da Autoridade Tributária."

Riscos e cuidados a ter

Aplicar a taxa errada não é um detalhe menor. Uma fatura com IVA insuficiente obriga a empresa a cobrir a diferença do próprio bolso, já que o cliente já pagou o valor acordado.

Negócios com operações nas três regiões devem documentar, operação a operação, a origem da expedição ou o local do serviço. Em caso de inspeção, é essa documentação que sustenta a taxa aplicada.

As taxas regionais dos Açores e da Madeira não constam diretamente no CIVA. São fixadas por diploma regional e divulgadas pela Autoridade Tributária através de ofícios-circulados, por isso vale a pena confirmar a taxa em vigor antes de cada alteração de preços.

Porque é que Portugal tem taxas de IVA diferentes por região?

A Constituição portuguesa reconhece autonomia fiscal aos Açores e à Madeira. O artigo 18.º, n.º 3 do CIVA traduz essa autonomia em taxas de IVA reduzidas face ao Continente.

O objetivo declarado é atenuar os custos da insularidade e da ultraperiferia: tudo o que chega às ilhas por barco ou avião já parte com um custo logístico maior do que no Continente. Uma taxa de IVA mais baixa compensa parte dessa diferença para o consumidor final.

Veredito final

Não existe uma taxa de IVA única em Portugal. O Continente cobra mais (23/13/6%), os Açores cobram menos (16/9/4%) e a Madeira fica a meio caminho (22/12/5%).

A regra que decide qual taxa aplicar não é a morada do cliente, é a origem da operação. Para bens, isso significa o ponto de expedição. Ignorar essa regra é o erro mais comum entre empresas que vendem para as três regiões ao mesmo tempo.

Se fatura para clientes em mais do que uma região, comece por mapear de onde saem realmente os seus bens ou onde presta efetivamente cada serviço, antes de configurar taxas no seu sistema de faturação.